Máxima eficiência energética é a meta dos data centers brasileiros
A corrida é por reduzir os custos com energia e ganhar competitividade. Na estratégia, planejamento, alta tecnologia e criatividade fazem a diferença
O protótipo do data center do futuro ainda não cabe no bolso, mas tem metragem quadrada reduzida, consolidação de máquinas e densidade de processamento. É o que estima o instituto de pesquisas Gartner. Segundo ele, os mais atuais têm 400% a mais de capacidade, usando 60% a menos de espaço e estão cada vez mais modulares, pequenos e construídos por zonas [múltiplas camadas] e escaláveis verticalmente.
Em contrapartida, deverão gerar mais calor e, portanto, consumirão mais energia. O grande desafio dessa nova geração dos centros de dados será construir estratégias em busca da eficiência energética.
Henrique Cecci, diretor de Pesquisas do Gartner, aponta a refrigeração como grande vilã. “Ela representa, hoje, 50% do consumo energético de um data center. Considerando que o custo de energia cresce em torno de 15% a 20% ao ano, encontrar a fórmula para o equilíbrio é vital”, aponta.
O consumo de energia por metro quadrado será maior, em razão da concentração do volume do processamento. Sendo assim, será necessário ter esse processo estruturado, afirma Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan.
Segundo Cecci, o mais importante é medir a eficiência e estabelecer metas. Para essa medição, de acordo com o executivo, existe o Power Usage Effectiveness (PUE), índice que avalia a eficiência energética de um data center, e indica se houve consumo em equilíbrio com o que foi gerado.
Criado pelo Green Grid, uma organização norte-americana sem fins lucrativos, dedicada a promover a eficiência dos recursos no data center, o PUE é a razão entre a potência total consumida pela instalação de TI – refrigeração, iluminação etc – dividida pela eletricidade consumida pelos equipamentos de tecnologia. O melhor PUE é o mais próximo possível de 1.0.
“Minha primeira recomendação para os CIOs é realizar uma avaliação do data center para quantificar o que o uso de energia significa para a companhia”, diz John Tucillo, presidente e chairman do conselho do Green Grid. “Você não precisa ser sofisticado para quantificar o consumo de energia básica. Compreender o PUE pode fornecer uma perspectiva sobre como você pode ser mais eficiente”, completa.
Como medir o Pue
Em muitos países, essa equação precisa ser aprimorada. A média no Brasil é 2.4, enquanto nos Estados Unidos e Europa o PUE está entre 1.4 e 1.5. “No Facebook, por exemplo, o índice é 1.07”, garante Ray Paquet, vice-presidente administrativo do Gartner, que esteve pessoalmente no data center, localizado em Washington, nos Estados Unidos.
Hugo Zanon Junior, diretor da Terremak, diz que existem muitas formas de medir o PUE. “No site [Data center Dinamics], tem pelo menos quatro critérios, então é difícil contratar os data centers por meio do PUE”, avisa. Ele explica: “Se dois provedores tiverem PUE diferentes, aquele que tem o maior, terá preço maior. O que possuir PUE mais baixo, terá uma margem maior, e, portanto, preço menor”.
Zanon aponta que o índice varia em função do tipo de data center. Nos de outsourcing ou de e-commerce, prossegue, é possível otimizar a arquitetura e então alcançar ótimo PUE. “Conforme o data center expande, as últimas salas têm desempenho melhor do que as outras. No nosso caso, se fizéssemos uma radiografia, teríamos vários PUEs”, relata e avisa: “Não divulgamos nossa média de PUE”.
Cecci diz que hoje já existem data centers no Brasil até mais eficientes que 1.6 e 1.8. “Mas acho que ainda vamos percorrer cerca de dois anos para alcançarmos média de 1.6. E, depois disso, poderemos atingir 1.3.”
“Fomos à Europa, Estados Unidos e Ásia para entender as melhores práticas de construção de data center e isso nos ajudou bastante. Optamos por Liquid Cooling Package (LCP), um rack climatizado, por água gelada, próprio para ambientes de alta densidade, com blade, virtualização”, diz Alexandre Siffert, presidente da Ativas.
Siffert comenta que com a densidade, o calor aumentou muito. “Há dez anos, o consumo por metro quadrado no data center era de 500 watts, hoje são 3 mil watts.” Mas com o LCP, da fabricante alemã, Rittal, a empresa pretende atingir PUE de 1.7.
Outro ponto de vantagem da Ativas é ter a concessionária mineira Cemig como acionista. “Sendo assim, somos providos por duas estações de energia distintas, e isso nos proporciona tranquilidade em relação à continuidade”, aponta.
É preciso estar atento às tendências, entende Siffert. “Há três anos, participo da conferência do Gartner, nos Estados Unidos, junto com nossos acionistas para termos certeza de que estamos no caminho certo. Precisamos saber o que o mundo está pensando e querendo. É nossa bússola”, afirma.
A Level 3 prepara-se para ter a energia do futuro. É o que revela Vagner Moraes, diretor da unidade de Data Center da empresa. “Estamos construindo nossa subestação. Vamos transformar a energia de alta tensão [138 mil Megawatts] para a tensão da Eletropaulo, que é de 13 mil Megawatts. Dessa forma, proporcionando capacidade de transformação de energia até 20 Megawatts”, explica.
Com esse investimento, a empresa vai garantir o funcionamento estável da rede de energia e a consequente disponibilidade. “O data center e a rede de alta tensão mantêm-se a uma distância de um quilômetro. E por estarmos nos domínios da Eletropaulo, todo o cabeamento instalado será doado para uso da concessionária”, diz o executivo, acrescentando que a obra teve início no final do ano passado e deverá estar concluída no início de 2013.
Contingência
A modernização do data center da Sonda IT, que inclui construção alinhada ao conceito de Green IT, recursos para eficiência e contingência enérgica e perenidade da estrutura, consumiu cerca de 50% do investimento na operação. É o que afirma Ricardo Barone, vice-presidente da unidade de Serviços de TI da Sonda IT.
O executivo destaca que o sistema de ar-condicionado é a gás, granular e inteligente. “Os equipamentos se revezam, de acordo com a leitura da temperatura do ambiente, o que gera economia significante. O importante é que focamos na melhor plataforma tecnológica e de climatização para nos tornarmos mais competitivos”, diz.
Ele dá a dica: “Em ambientes de alta densidade, é vital o gerenciamento ativo da ocupação, otimizando a operação com a eliminação da ociosidade dos equipamentos e desligando os que já não são mais necessários”.
A iniciativa com maior nível de eficiência energética é o cloud computing, na análise de Marcelo Safatle, diretor-executivo da Hostlocation. A organização, segundo ele, aumentou sensivelmente a densidade com virtualização de servidores e no último ano obteve economia de 66% de energia.
O executivo aposta ainda na evolução da indústria, que tem colocado no mercado máquinas que suportam temperaturas mais elevadas, capazes de baixar muito os gastos com refrigeração. “Trabalhar com dois ou três graus acima pode representar significativa economia. Se eu tenho consumo de 1 KVA [Kilo Volt Amperes] por equipamento, tenho de reservar o mesmo para refrigerá-lo”, diz Safatle, que no momento está modernizando a plataforma com servidores blade.
José Geraldo Coscelli, COO da Globalweb Outsourcing, equaliza os gastos energéticos com operação no Brasil e também nos Estados Unidos. “O custo do KVA daqui é mais alto do que o norte-americano. Dessa forma, consigo oferecer melhor eficiência ao cliente.”
Ele diz que a estratégia da empresa está pautada em soluções baseadas em cloud, virtualização e servidores blade. “Procuramos otimizar ao máximo o ambiente para ter um menor gasto energético”, afirma.
Na Locaweb, o momento é de avaliação. Estudam a possibilidade de cogeração de energia com gás natural, por meio de geradores, aproveitando resíduos para gerar ar frio. E ainda free cooling, que é basicamente usar o ar para resfriamento. “Mas podemos ter a combinação dessas duas alternativas”, revela Marco Fonseca, gerente de Operações da empresa.
A meta da companhia é obter economia de cerca de 30% com energia. “Estamos expandindo, tornando nosso ambiente de alta densidade e, portanto, é fundamental a modernização do sistema de climatização”, explica.
O executivo gaba-se do PUE de 1.6, que foi conquistado, segundo ele, sem muito esforço tecnológico, pois a chave está na combinação de planejamento, tecnologia e criatividade. “É uma questão de melhor distribuição dos servidores, aliada ao confinamento do ar quente. Nenhuma reinvenção da roda”, brinca.
Armando Amaral, diretor de Operações, Engenharia e Infraestrutura da UOL Diveo conta que já na construção do data center, o projeto previu uma arquitetura que favorecesse a eficiência energética. “Porque depois de construído, fica muito complicado implementar um projeto moderno de refrigeração”, avisa.
O PUE de 1.6 [com data center cheio] foi conquistado graças à virtualização, software de gerenciamento de energia, sistema de refrigeração com corredores de ar quente e frio, piso elevado, máquinas modernas de ar-condicionado e recurso de vaporização do ambiente. “A meta é reduzi-lo com o novo sistema de climatização que estamos avaliando e também soluções de cloud.”
Fabiano Droguetti, diretor de Soluções e Tecnologia da Tivit, também concorda ser uma vantagem importante já incluir no planejamento do data center características que promovam eficiência energética. “Nosso sistema de refrigeração é composto por um tanque de água gelada. Se quiséssemos implementá-lo depois, seria uma tarefa complicada”, diz.
Impulso da nuvem
O executivo destaca que um dos grandes apoios para a redução do consumo de energia é cloud computing, que, segundo ele, otimiza a produção de TI por metro quadrado do data center. “Mais de 20% de todos os nossos serviços são prestados por meio de uma plataforma virtualizada, minimizando a dissipação de calor e a necessidade de resfriar servidores.”
Medir o PUE é uma tarefa realizada três vezes ao dia na Logica, afirma Gilberto Encinas, gerente de Data Center da corporação. Em fase de expansão, com estimativa de dobrar a capacidade, o sistema de refrigeração inclui corredores de ar quente e frio, com ar-condicionado. “Mas estamos avaliando o uso do conceito de
Rack cooling e Row cooling para aumentar nossa eficiência. Temos índice de 1.6 e com a atualização pretendemos baixá-lo”, afirma.
“Hoje, olho para a infraestrutura energética com lupa. A preocupação é muito maior. Trata-se de um investimento significativo e fundamental para o negócio”, revela Flávio Duarte, executivo de Serviços da IBM.
A empresa usa em seus racks porta de troca de calor refrigerada a água. Ela pode retirar até 27 KVA de um rack. “Considerando que eles consomem 27 KVA, temos essa equação zerada e a eficiência aumentada”, diz o executivo.
O PUE da IBM está perto de 2.0, mas o objetivo é cair bastante esse índice, segundo Duarte. A IBM vem buscando redução de custos operacionais para se tornar mais competitiva e a eficiência energética ajuda nessa meta. Soma-se a essa estratégia o forte investimento em virtualização, consolidação e gerenciamento eficiente. “Tudo isso gerou para a IBM na última década uma economia de 1 bilhão de dólares.”
A Alog optou por um projeto que alia a eficiência de energia às características de ocupação do seu data center. “Nosso sistema é modular, composto de equipamentos de alta eficiência energética, com apoio de corredores de ar quente e frio, usando técnica de confinamento e também sistema de climatização a água. E no data center de Tamboré, com ocupação total, nosso PUE deverá variar entre 1.6 e 1.7”, relata Peter Catta Preta, diretor de Infraestrutura da Alog.
A estratégia da HP tem como base três pilares. Desenvolvimento de uma nova geração de infraestrutura que consome menor quantidade de energia, usando na arquitetura os servidores ProLiant Gen8, que, segundo o diretor de Marketing da área de servidores, Alexandre Kazuki, “são totalmente automatizados e de baixíssimo consumo de energia”. Consultoria e projetos para a construção de data centers de última geração que conseguem utilizar de forma otimizada os recursos de energia e refrigeração. “E ainda a criação de software de gerenciamento que permitem maior inteligência dos servidores.”
A busca por resfriamento ideal promete esquentar. Todos querem tornar seus ambientes altamente eficientes com consumo menor de energia e um PUE cada vez mais próximo de 1.0. De acordo com consultores, o mais importante nessa arena, é que o mercado nacional está borbulhando, atraindo a atenção internacional e, o que é mais valioso, se tornando mais amadurecido e profissional. Aguarde.
Como vai a contingência no Brasil?
Ativos ficam em risco por falta de estratégias de continuidade. Amadurecimento do mercado e novos modelos comerciais podem mudar cenário
Sua empresa tem um plano de recuperação de desastres? Em 51% das companhias brasileiras a resposta para essa pergunta é não. Os dados são de um estudo global realizado pela Regus, fornecedora de soluções de TI, com 12 mil executivos em 85 países.
Divulgado no final do ano passado, o levantamento aponta ainda que 57% das companhias que atuam em solo nacional não têm qualquer estratégia de continuidade dos negócios em relação ao local de trabalho, quando afetados por desastres naturais.
A Regus alerta que os números mostram que muitas empresas colocam em risco ativos de acionistas por não tomarem as devidas precauções para inverter situações de catástrofes. Outro dado relevante do estudo aponta que as companhias brasileiras estão menos propensas a perceberem o custo da recuperação de desastres como algo proibitivo, citado por 31% dos entrevistados.
Apesar de as grandes organizações no Brasil estarem melhor preparadas do que as de menor porte para eventos de recuperação de desastres, em média, 49% delas ainda não contam com instalações dedicadas a continuidade dos negócios, aponta o levantamento.
“Aqui no País, o cenário de contingência está restrito a empresas de grande porte, ainda assim, não de forma ampla”, afirma Marcelo Safatle, diretor-executivo da Hostlocation. Ele acrescenta que, por esse motivo tem muito a crescer, especialmente neste momento de aquecimento.
“Mas os modelos comerciais dos serviços ainda são muito primitivos, se comparados ao mercado norte-americano. Estamos sempre pensando em alternativas flexíveis”, aponta Safatle.
Na opinião de Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC, o momento nacional, com o crescimento dos negócios, impulsiona a expansão das operações empresariais e a necessidade de disponibilidade, de muitas delas, especialmente as atuantes no mercado financeiro. Essa movimentação deve aquecer a busca por serviços de contingência, segundo ele.
“Os bancos nos Estados Unidos são obrigados por lei a ter contingência. No Brasil, não, mas todos têm. Afinal, depois do 11 de setembro, muitas decisões foram tomadas nesse sentido. E não adianta querer contingenciar fora do País, pois os dados financeiros não podem ficar além do território nacional”, diz Figueiredo. “O serviço é uma boa opção, visto que não é nada fácil construir um data center para contingência. Além de ser caro, consome entre dois e três anos.”
Por outro lado, o estudo da Regus identificou que dois terços [ou 66%] dos profissionais ouvidos no Brasil declararam que investiriam em recuperação de desastres se o serviço tivesse preço mais acessível.
Mas não é somente uma questão de preço, de acordo com Figueiredo. Ele argumenta que o provedor do serviço precisa deixar claro o retorno do investimento (ROI). “Cada vez mais essa ação está sendo necessária. Quem vende tem de mostrar isso para quem contrata. A própria empresa não sabe quantificar quanto ela gasta”, alerta.
Serviços mais atraentes
E o cenário parece estar mudando e se tornando mais atraente. Data centers estão-se empenhando no oferecimento de modelos comerciais mais interessantes. “É como se fosse um seguro de carro. Ninguém quer usar. Mas paga-se pela prontidão e pela paz de espírito”, diz Alexandre Siffert, presidente da Ativas.
Para tornar um pouco mais atraente o modelo de contratação, ele diz que a empresa criou o serviço site backup on demand, em que o cliente paga efetivamente pela infraestrutura quando, de fato, a estiver usando em caráter de contingência. O cliente contrata um espelho da estrutura atual dele, que está em produção [chamado de primário] e só quando declara contingência é que usa o site backup. “Está sendo muito bem aceito.”
Ricardo Barone, vice-presidente da Unidade de Serviços da Sonda IT, destaca que, na empresa, o modelo comercial também reproduz o de seguro de veículos. O cliente só paga a franquia, quando usa o serviço em uma situação de desastre real. “Enquanto nada acontece, é uma assinatura que cobre apenas os custos em stand-by, de prontidão do ambiente, para provisionamento de capacidade.”
O executivo tem observado expansão dessa demanda em todas as verticais, não somente de empresas do setor financeiro. Mas ele acredita que ainda vai demorar um pouco para a modalidade aquecer de verdade por aqui.
Contudo, ele já se prepara para a ebulição. Barone relata que ganhou reforço com a expansão da operação em solo nacional. Antes, os serviços de disaster recovery contavam com a participação de parceiros no oferecimento de infraestrutura. “Agora, provemos internamente”, afirma e acrescenta que em junho irão inaugurar no Chile uma unidade de 1,5 mil metros quadrados, que estará interligada à existente em solo nacional. “Teremos ainda mais recursos, reforçando atuação em cloud, com modelos mais flexíveis e atraentes.”
A saída para um plano de contingência seguro e elástico virá da nuvem, na opinião de José Geraldo Coscelli, COO da Globalweb Outsourcing. Ele destaca os data centers nos Estados Unidos, com os quais a empresa mantém parceria. “Lá, existem quatro entradas de energia e, portanto, também temos contingência energética”, afirma o executivo para quem a efervescência por serviços de contingência ainda não foi percebida.
A Alog tem sido procurada para o serviço e acredita que ele deverá crescer na movimentação dos negócios. “Batem à nossa porta, especialmente instituições financeiras, que têm ações em bolsa. Alugamos espaço para a criação do ambiente de redundância e também para que os funcionários possam operar o negócio no site da Alog”, relata Peter Catta Preta, diretor de Infraestrutura da Alog.
Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan, também aposta em cloud computing como alternativa viável para contingência, mais simples, flexível e barata. Mas ele é cuidadoso: “É possível contingenciar servidores para não interromper a operação da empresa. Mas, primeiramente, o conceito terá de ganhar a confiança corporativa e amadurecer, juntamente com a infraestrutura de telecom do País”, ressalta. “Quando isso acontecer, vai causar impacto no mercado.”
O analista revela que tem ouvido muito pouco sobre contingência quando conversa com os CIOs. “Ao menos, não tanto como cloud, disponibilidade e até colocation.”
A contingência hoje é claramente uma necessidade, segundo Flávio Duarte, executivo de Serviços da IBM. “Isso porque, dependendo do setor de atuação da empresa, a parada pode gerar prejuízo de milhões para companhias como operadoras de cartão de crédito e de e-commerce.”
Duarte destaca que muitas formas têm sido orientadas para que o cliente reduza o custo com esse serviço. Virtualizar somente a parte crítica é uma delas. “A IBM tem andares vazios para abrigar empresas que não conseguem operar em seus sites em casos de incidentes. Além disso, a nuvem é uma saída rápida e confortável”, diz e informa: “Nos Estados Unidos, 80% das startups iniciam suas atividades na nuvem.”
A Tivit descobriu uma maneira de o preço pago pela contingência não incomodar tanto pelo fato de não ser usada [desejo de todo CIO]. Adotou um modelo comercial em que o cliente não mais paga por uma estrutura parada, esperando acontecer algum desastre para ser utilizada.
“Todo o tempo, além da garantia de prontidão de contingência, colocamos em funcionamento os ambientes considerados não produtivos, ou seja, os de desenvolvimento de aplicações, testes, homologação etc”, descreve. “Dessa forma, essas produções são redundadas no Rio de Janeiro, reproduzindo a estrutura de São Paulo, no caso de um de nossos clientes.”
A questão colocation
O serviço já foi alvo de várias discussões sobre seu futuro, especialmente em razão da força e aceitação que vem ganhando o conceito cloud computing. Este que pode sentenciar a modalidade ou mesmo impulsioná-la. Mas com o aquecimento do setor de data center, analistas estimam que ele ganhará fôlego. Ainda assim, opiniões e estratégias dividem-se no mercado.
“Somos uma empresa de gestão de serviços, ou seja, o chamado Managed Service Provider (MSP). E não um data center puro sangue. O que entrego para o cliente é gestão de serviço. Fazemos a tradução da infraestrutura no negócio do cliente”, diz Siffert, presidente da Ativas. Por essa razão, o executivo afirma que colocation não faz parte da sua estratégia.
E argumenta: “Um rack ocupa em torno de três metros quadrados. Se pegarmos 5 mil reais e dividirmos por essa metragem, vamos achar o preço mensal por metro quadrado. Multiplicando isso por 12, teremos algo em torno de 20 mil reais. Então, uma solução de colocation, hoje, gera uma receita média de 20 mil reais por metro quadrado”.
Sendo assim, o ticket médio da Ativas por metro quadrado, prossegue o executivo, com base na receita bruta obtida no ano passado, dividida pela área consumida de data center, vai dar cerca de cinco vezes esse valor. “O que isso quer dizer? Significa que quando pensamos em ter um data center Tier 3, não é para ter colocation. Porque colocation destrói o valor”, afirma.
De acordo com Siffert, não se pode imaginar vender data center por metro quadrado como se aluga uma sala comercial. “Com toda a certeza não é nosso business. Só tem um jeito de ganhar dinheiro com colocation: com escala.”
“O planejamento de um data center que vai oferecer colocation não é o mesmo para hosting. A expectativa de faturamento por metro quadrado é realmente diferente e também a sua estrutura”, explica Figueiredo, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC.
Victor Arnaud, diretor de Marketing, Processos e Produtos da Alog, defende o colocation, acredita no seu crescimento e afirma que muitas das avaliações desse mercado são distorcidas. “Se fosse um mau negócio, a Equinix não teria registrado faturamento de 1,6 bilhão de dólares nos Estados Unidos, com colocation puro em 2011”, rebate, referindo-se à fornecedora norte-americana de serviços de data centers que comprou a empresa
em 2011.
Segundo ele, é notória a preocupação de empresas de operações críticas como as do mercado financeiro e de e-commerce com o controle e disponibilidade. “Por isso, precisam da gestão nas mãos. Sem contar que é muito mais fácil, rápido e barato contratar espaço do que construí-lo.”
“Estamos prontos e torcendo para a expansão do serviço, que já está acontecendo . Somos muito procurados”, alfineta e avisa: “O cenário está altamente positivo e estamos atentos às possibilidades com cloud, conceito que também não está fora da nossa estratégia”.
A IDC indica colocation como uma das alternativas viáveis para empresas que estão lutando para garantir que seus data centers estejam em linha com a demanda dos negócios. Chris Ingle, vice-presidente associado da IDC, constata que parte desse cenário foi causada pelo crescimento da computação em nuvem.
Ingle aconselha que as organizações considerem o uso de capacidade externa com mais frequência. “Colocation e projetos de hospedagem na nuvem pública são alternativas de abastecimento, que fazem sentido para algumas organizações”, afirma.
Na visão de Cecci, diretor de Pesquisas do Gartner, apesar de as empresas não gostarem muito de colocation, porque querem maximizar suas margens e o fazem por meio de serviços, é um mercado que vai crescer. “Ele não estava muito popular, mas com o aquecimento do setor, deverá ganhar impulso. Até porque, não deixa de ser uma porta para o oferecimento de serviços.”
“A IBM não trabalha com colocation porque é um serviço de muito baixo valor agregado. Não alugamos metro quadrado. E a tendência para prover infraestrutura em cloud vai abalar ainda mais essa modalidade de serviço”, avalia Duarte, executivo de Serviços da IBM.
“A expectativa de expansão deve ser rápida e temporária. Não vejo essa estimativa de boom de colocation. Penso que ele serve apenas para atender a uma necessidade pontual de um cliente.”
Provedora de serviços de outsourcing e data center (cloud privada), a CorpFlex, sediada na cidade de Barueri (Alphaville), conta com 90 colaboradores e apresenta uma carteira de clientes corporativos e ativos com mais de 450 nomes. E optou por operar em colocation.
“Não está em nossos planos ter uma estrutura própria e, portanto, colocation é uma modalidade perfeita para nossa estratégia”, diz João Alfredo Andrade Pimentel, diretor da CorpFlex.
A empresa possui a operação em dois data centers no Brasil, que não quis divulgar os nomes. No último ano, investiu mais de 6 milhões de reais na infraestrutura para torná-la ainda mais disponível e também em contingência. Mas não pensa em largar o colocation. Assim como ela, há várias outras corporações que acham mais prático e seguro manter a gestão do negócio sob total controle. É uma questão de escolha estratégica, avaliam os consultores.


